quinta-feira, junho 10, 2004

Consequências

É evidente que a morte de Sousa Franco é um momento que todos preferiríamos que não tivesse existido, em plena campanha, na qual era cabeça de lista. É evidente que este PS liderado por Ferro Rodrigues não tem mesmo sorte nenhuma. Tudo lhe acontece. E é evidente que Sousa Franco era, de facto, um homem de grande valor. Como foi repetido até à exaustão, um académico respeitado, um homem de convicções, democrata insígne, correcto e, como demonstrou nesta última campanha, um homem afável, simpático, no trato. Enfim, morreu uma boa pessoa.

É também evidente que os palhaços que se degladiaram pela posse do poleiro de Matosinhos (que pobreza de espírito, meu Deus!) devem ser recambiados rapidamente para um qualquer circo Chen da política. Rapidamente e sem direito a recurso!

Mais evidente ainda se tornou o carácter (ou melhor, a falta dele) de uma parte da direita que somos obrigados a ter no nosso país. E, pior que tudo, essa parte da direita até está no poder! Sinceramente, o primeiro-ministro Durão Barroso tinha, pelo menos, obrigação de fazer o discurso que fez. Mesmo que o político Durão Barroso não pudesse ver Sousa Franco nem pintado de laranja, por estes dias. Mas como primeiro-ministro, tinha uma obrigação, que cumpriu. Por seu turno, o ministro da defesa Paulo Portas, já não a tinha. E, se o presidente do PP Paulo Portas fosse uma pessoa de carácter, tinha estado era muito bem caladinho, depois do tipo de insultos violentos que ele e os seus meninos queques dirigiram a Sousa Franco nos últimos dias! Deste PP, a única coisa que me apetecia ver era um mea culpa público. Era calarem-se, permanentemente. Caso tivessem sentimentos e carácter, duas coisas que deviam estar em falta no stock quando estes senhores nasceram, haviam de sentir-se horrivelmente para o resto das suas vidas. Mas, por outro lado, se tivessem sentimentos e carácter, não tinham tido o comportamento dos últimos dias.

Finalmente, se esta espécie de coligação pela destruição de Portugal tivesse carácter e qualquer outro objectivo que não a venda a retalho deste país aos seus amiguinhos, não existiriam, como provavelmente já existem e como seguramente existirão, tentativas de ver neste episódio uma justificação para uma possível vitória do PS. Com a lógica do voto por simpatia. Estou à espera de ver a coligação levar uma valente charutada no Domingo, para, apenas 4 dias após as lágrimas de crocodilo que verteram para gáudio da populaça, estes mesmos senhores, que, para nosso azar, nos governam, virem dizer que houve uma distorção da realidade, devido à morte de Sousa Franco.

Espero para ver! Mas estou cá com um destes palpites...